Abelhas e telemóveis: não é mais uma história de terror

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A influência dos telemóveis e das redes telecomunicações nas abelhas é um debate muitas vezes visitado e que parte de premissas não provadas. Naturalmente este tipo de desinformação cria resistência e dúvidas em alguns apicultores que nos levaram a escrever um artigo para esclarecer todas as dúvidas.

A ideia de que estas redes têm influência nas abelhas teve grande ênfase nos média devido a um pequeno estudo efetuado na Alemanha. Esse estudo foi conduzido com base em premissas muito particulares, como por exemplo o tipo de torres de telecomunicações muito específicas. Porém, a partir deste estudo desenvolveram-se extrapolações e conclusões erradas e não fundamentadas, que foram alavancadas e projetadas pelos meios de comunicação.

Esta desinformação levou o próprio autor do estudo Stefan Kimmel, a declarar em público que não há ligação entre o seu pequeno estudo e o fenómeno do CCD (Colony Collapse disorder).

Depois disso, outros estudos foram feitos sobre o tema. Daniel Favre em “Mobile phone-induced honeybee worker piping” refere que há uma ligação entre o declínio das abelhas e os telemóveis. A metodologia de Favre passou por colocar telemóveis dentro de colmeias com abelhas e observou os sons por elas emitidos quando o telemóvel estava no estado ativo, inativo, a tocar, desligado ou em standby. Concluiu que as abelhas não são incomodadas pelo telemóvel quando ele está inativo ou em standby, mas que por outro lado, quando o telemóvel está a tocar ou está ativo as abelhas ficam perturbadas.

A experiência de Favre e os seus argumentos colocam mais dúvidas do que as que esclarecem. Colocar um ou dois telemóveis dentro de uma colmeia não é uma prova irrefutável de que as abelhas sofrem com a rádio frequência. Um telemóvel é um aparelho bem mais complexo que pode provocar vários efeitos, tanto graças aos sinais de rádio frequência que recebe e emite, como ao toque e às vibrações que lhe estão associados. Esta incapacidade para ser preciso quanto ao causador dos efeitos perturbadores nas abelhas levam a induzir que as conclusões do estudo conduzido por Favre são limitadas e carecem de validação científica.

Temporalmente não existe uma relação entre a intensificação das redes de telecomunicações e a morte em grande escala das abelhas, o que remete para a possibilidade da causa deste fenómeno ser mais recente ao surgimento dos telemóveis. O United States Department of Agriculture (ler artigo) diz que apesar de se estar a dar muita atenção ao tema, nem os telemóveis, nem as torres de antenas dos telemóveis têm mostrado ter qualquer ligação com o CCD ou a falta de saúde das abelhas.

Os estudos que tentam relacionar o declínio das abelhas com os telemóveis não são levados muito a sério na comunidade científica, visto serem apenas especulações sem fundamento que tentam mascarar os verdadeiros problemas.

Crédito da imagem: Skitter Photo/Stockssnap.io

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